A trajetória do PSL e Luciano Bivar

Por Ronaldo Nóbrega*

O Deputado Federal, Luciano Bivar, eleito por Pernambuco foi fundador do Partido Social Liberal (PSL) e preside a legenda desde 1998. Antes das eleições de 2018, seu partido estava ameaçado de não ultrapassar a Cláusula de Barreira e de ser extinto ou ter que se fundir a outra legenda.

Mesmo diante das adversidades, Luciano Bivar acreditava no potencial de seu partido. Além de homem do povo, Bivar também é escritor, em um de seus livros o lema principal é “perseverança”. Essa “insistência de pensamento” é uma das principais recomendações da neurolinguística moderna para que um indivíduo possa alcançar seus sonhos. Foi com essa vontade que o PSL se transformou na segunda maior bancada da Câmara dos Deputados em 2019.

Quem imaginaria que o PSL, um dia, contasse com 52 assentos na Câmara dos Deputados, 4 Senadores da República, 3 governadores (Santa Catarina, Rondônia e Roraima) e 76 deputados estaduais espalhados por todos os estados da federação? Talvez, só o próprio Luciano Bivar sonhasse com isso, silenciosamente. Um verdadeiro fenômeno político que tem nome e sobrenome: Jair Bolsonaro.

De modo surpreendente os eventos aconteceram como um “tsunami”. O ex-deputado federal, Jair Bolsonaro, pouco conhecido da grande mídia nacional, com raras aparições, até na TV Câmara, veio ganhando apoio nas redes sociais após as manifestações de 2013 e depois do impeachment de Dilma Rousseff em 2016. Ao perceber que já tinha milhões de seguidores e que a multidão aumentava exponencialmente, surgiu à necessidade de um partido “limpo”, para que Bolsonaro pudesse se filiar e tentar realizar o seu sonho de presidir o Brasil. À época, não era possível se lançar à Presidência em sua própria legenda, o Partido Social Cristão (PSC). Nesse ínterim a Lava-Jato estava no auge de suas investigações, que envolvia a maioria dos partidos do Congresso Nacional por suspeitas de corrupção ou já condenados pela Justiça. Havia poucos partidos que não foram citados em nenhuma investigação, dentre eles, o PSL, presidido pelo seu colega de parlamento, Luciano Bivar. 

Bolsonaro logo percebeu uma oportunidade e não esperou que a “montanha” fosse até Maomé. Procurou diretamente Luciano Bivar em Recife-PE e expôs seus planos, a parceria era mutuamente benéfica, de pronto, Bivar acatou a ideia e juntos começaram a delinear seus sonhos. De um lado, Bivar manteria sua legenda e ficaria na presidência de um partido relevante no cenário nacional; de outro, Bolsonaro teria um partido íntegro, “ficha limpa”, para uma campanha à Presidência da República que levasse seu principal lema: honestidade e combate à corrupção. 

Ambos os sonhos se realizaram, Jair Bolsonaro se elegeu Presidente da República e Luciano Bivar se elegeu Deputado Federal. Embora os holofotes tenham se concentrado, naturalmente, em Bolsonaro, Bivar está conquistando pouco a pouco sua importância dentro de sua agremiação. Retomou a presidência do PSL, após as eleições, e está servindo como um interlocutor para unir a legenda em prol do objetivo maior que é recuperar o Brasil, na área econômica, social, na segurança pública e na saúde. Provavelmente, a partir do início da sessão legislativa, é que se comece a perceber seu notável valor, como líder de um partido que pode transformar o Brasil.

A despeito de projetos pessoais, Bivar foi cotado como candidato à presidência da Câmara dos Deputados. Contudo, o correto distanciamento do Executivo nas eleições do Legislativo, levou a sigla a perceber que seria melhor apoiar um candidato que pudesse conversar com todos os partidos, até com a oposição. Nesse sentido, o governo necessita do apoio de pelo menos 370 deputados para aprovar – com alguma folga – seu plano de governo, mais especificamente, a Reforma da Previdência que exige quórum qualificado, pois muda a Constituição. 

Não seria viável a candidatura de Bivar na Câmara, já que o Presidente e ele estão no mesmo partido. Assim, optou-se por uma composição mais ampla que comungasse das mesmas metas e que pudesse reunir um número maior de votos. A decisão institucional do PSL, sem a influência do Executivo, foi apoiar a candidatura de Rodrigo Maia (DEM-RJ). Na tarde de ontem, 1ª de janeiro de 2019, Rodrigo Maia foi eleito Presidente da Câmara com um expressivo número de votos (334) o que demonstra sua capacidade de diálogo, inclusive com setores da esquerda. 

Rodrigo Maia comandará, pela terceira vez, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, um importante posto, pois é o 2º na linha sucessória e o formador da Ordem do Dia e da agenda de votações da Casa. Quanto à Bivar, recebeu com bons olhos a decisão do partido e abriu mão da candidatura à Presidência da Câmara para disputar o cargo de 2º vice-presidente da Mesa. Com 198 votos, em segundo turno, Luciano Bivar se elegeu para 2ª Vice-Presidência.

Dentre a novas atribuições de Luciano Bivar, como membro da Mesa Diretora, está a precípua função de substituir o Presidente, Rodrigo Maia e o Vice-Presidente, Marcos Pereira (PRB-SP), quando ambos se ausentarem. Além disso, Luciano Bivar deverá “fomentar a interação institucional entre a Câmara dos Deputados e os órgãos do Poder Legislativo dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, com vistas a desenvolver sistematicamente a ação legislativa”. Isto é, desempenhar o papel de interlocutor entre a Câmara e as Assembleias Estaduais, Municipais e a Câmara Legislativa do Distrito Federal para que as leis aprovadas estejam em sincronia.

A trajetória do PSL, e de seu fundador, foram demasiadamente vitoriosas, tanto nas eleições gerais, como na da Câmara dos Deputados. Luciano Bivar e Jair Bolsonaro firmaram uma aliança de sucesso e buscarão aprovar as leis que o país necessita para crescer. O trabalho intrapartidário continua, novos e maiores objetivos são traçados para determinar uma nova história do PSL, afinal, em 2020 haverá eleições municipais e o partido pretende eleger diversos prefeitos e vereadores para compor um núcleo sólido e governar, com harmonia, o Brasil. 

Ronaldo Nóbrega*  (Membro fundador 1996, Ex-Secretário da Nacional do PSL e Presidente do Diretório na Paraíba)