Ronaldo Nóbrega defende que Renda Brasil vá para o Ministério da Economia

O Bolsa Família deverá ser substituído pelo “Renda Brasil” nos próximos dias e contará com uma ampliação substancial, tanto no valor repassado como no número de beneficiários atingidos. O benefício que hoje é de R$ 191,00 reais poderá chegar a R$ 300,00. Já o número de beneficiários pode aumentar de 14,2 milhões de famílias, para quase 23 milhões.

Contudo, segundo o empreendedor social e ex-diretor do Departamento de Gestão e Acesso a Serviços do Ministério do Desenvolvimento Social (atual Ministério da Cidadania), Ronaldo Nóbrega Medeiros, “esse programa funcionará melhor dentro do Ministério da Economia, pois lá ele será tratado como uma forma do beneficiário não depender mais daquele auxílio”.

De acordo com Nóbrega, o Renda Brasil deve mudar o conceito do Bolsa Família, permitindo e estimulando que os beneficiários tenham outra fonte de renda além da concedida pelo governo. Assim, existe a possibilidade de o Renda Brasil ofertar cursos de qualificação profissional como forma de estimular a geração de empregos.

Essa foi a metodologia desenvolvida pelo ex-diretor enquanto comandava o Plano Progredir, qualificação profissional e geração de empregos. Mas, para que isso aconteça, o Renda Brasil deve sair da alçada do Ministério da Cidadania e integrar o Ministério da Economia, visto que, com esse novo formato, ele se aproxima de uma Política Nacional de Desenvolvimento Econômico e deixa de ter o caráter puramente assistencialista.

O principal foco do Renda Brasil precisa ser a criação de oportunidades que resultem em crescimento da economia local. Nesse sentido, o Ministério da Economia deverá criar uma Secretaria Especial para gerir de perto o Programa e, gradualmente, ampliar o leque de serviços do Renda Brasil, defende empreendedor social.

Na visão de Nóbrega, a mudança do nome “Bolsa Família” é acompanhada de uma mudança no modelo de gestão com enfoque na parte de emancipação do beneficiado. Enquanto nos governos petistas a ideia escusa do Bolsa Família era causar dependência criando uma ‘clientela de eleitores’, agora a meta é impulsionar a renda das famílias gerando independência econômica.

O novo programa Renda Brasil pode, no futuro, integrar-se a diversas iniciativas, firmando parcerias que estimulam a geração de empregos por meio da formação qualificada de profissionais. Ronaldo Nóbrega, então diretor do MDS, participou de diversas reuniões com entidades do setor público e privado a fim de aproximar o beneficiário da vaga de emprego. Ele afirma que essa filosofia foi extremamente bem-sucedida e que pode ser replicada no Renda Brasil.

Ele lembrou, que dentre as parcerias firmadas durante sua gestão, destaca-se a realizada com o Sistema Nacional de Empregos (SINE). Além das parcerias com o Sistema S, Grupo Residência Educação e com os Centros de Integração Empresa-Escola (CIEE) que estão espalhados por todo Brasil.

No caso do CIEE, já são mais de 45 anos de existência, uma entidade que sem o apoio do Governo Federal já beneficiou mais de 1,5 milhão de estudantes, integrando-os ao mercado de trabalho por meio do seu programa de estágios, registrou o empreendedor social.

Isso pode ser feito no Renda Brasil por meio de ações específicas, como a criação de uma linha de financiamento para cursos técnicos visando a qualificação profissional e a obtenção de emprego, finalizou Ronaldo Nóbrega.

 Lúcia Guerra é jornalista e escreve para vários sites sobre política.

 | Jornalista. DRT-DF 12054

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