Donald Trump retira vistos a funcionários da Huawei que apoiem governos abusadores de direitos humanos

O Governo liderado por Donald Trump anunciou esta quarta-feira que vai impor restrições nos vistos a funcionários da gigante tecnológica chinesa Huawei e a outras empresas que os Estados Unidos vejam como apoiantes de governos violadores de direitos humanos. O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, disse ainda que a administração de Donald Trump está a finalizar um plano para minimizar o roubo de dados da popular rede social chinesa de 'streaming' de vídeos TikTok.

Segundo notícia de uma agência, Mike Pompeo parou no entanto de afirmar que esta rede social seria totalmente proibida.

Estes anúncios surgiram um dia depois de o Governo britânico ter banido a Huawei das suas infraestruturas de redes de quinta geração (5G), devido às preocupações de que dados sensíveis pudessem ser comprometidos pelo Partido Comunista Chinês.

Mike Pompeo falava aos jornalistas durante uma conferência de imprensa e alertou que os funcionários da Huawei que forneçam "apoio material a regimes envolvidos em violações de direitos humanos e abusos em todo o mundo" serão sancionados.

"As empresas afetadas pela ação de hoje incluem a Huawei, um braço do estado de vigilância do Partido Comunista Chinês que censura dissidentes políticos e permite campos de internamento em massa em Xinjiang e a servidão de sua população enviada por toda a China", acrescentou.

"As empresas de telecomunicações em todo o mundo devem considerar este aviso prévio: se estão a fazer negócios com a Huawei, estão a fazer negócios com violadores de direitos humanos", disse ainda.

A China acusou hoje o Reino Unido de conspirar com Washington para prejudicar as empresas chinesas, após Londres ter banido o grupo chinês Huawei da infraestrutura de redes de quinta geração (5G) do Reino Unido.

"Sem qualquer evidência concreta, o Reino Unido apontou riscos sem fundamento como desculpa, e cooperou com os Estados Unidos para discriminar, suprimir e excluir empresas chinesas", acusou a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Hua Chunying.

A partir de 01 de janeiro de 2021 passa a ser proibida a compra de qualquer novo equipamento 5G da Huawei por operadoras de celular britânicas, que vão ter ainda de remover todo o equipamento da empresa chinesa usado na infraestrutura de telecomunicações 5G do país até ao final de 2027.

A decisão foi tomada na terça-feira numa reunião do Conselho de Segurança Nacional presidida pelo primeiro-ministro, Boris Johnson, como resposta a sanções impostas pelos Estados Unidos à Huawei em maio.

A Huawei está no centro de uma guerra comercial e tecnológica entre os Estados Unidos e a China. Washington acusa a Huawei de constituir um risco para a segurança, face ao seu alegado vínculo ao regime chinês, o que é negado pela empresa.

O governo de Donald Trump tem pressionado os aliados europeus para evitarem a Huawei, a maior fabricante de equipamentos de telecomunicações do mundo.

Os Estados Unidos baniram já o fornecimento de 'chips' à empresa chinesa e impediram que empresas não americanas usassem tecnologia norte-americana para produzir 'chips' de processadores e outros componentes para a Huawei sem a aprovação de Washington.
A Huawei opera no Reino Unido há mais de 20 anos e esteve envolvida no desenvolvimento das redes 2G, 3G e 4G.