Festa na Praça dos Orixás junta religiosidade e música

Um réveillon que mostrou a força da cultura afrodescendente representada pela religiosidade e pelo samba marcou a virada do ano na Praça dos Orixás. O público que passou pela Prainha, teve como ponto culminante o show de Dudu Nobre depois de queima de fogos à meia noite.

“Esta é uma festa religiosa. Somos nós, dos terreiros de umbanda e candomblé, que lhe damos essa energia. Sambistas e pagodeiros, como Dudu Nobre, têm em seus repertórios músicas de macumba”, sustentou o presidente da Federação de Umbanda e Candomblé do DF e Entorno, Rafael Moreira.

As apresentações musicais, muitas delas de grupos afrodescendentes e de cunho religioso, alternaram-se com manifestações de 14 terreiros em nove tendas armadas na orla como a Tenda Espírita Vovô Pedro de Angola, do Gama, e Ilê Asé Obá Oju Inã, de Luziânia.

O advogado Vinícius Resende veio de Formosa (GO) para participar das cerimônias religiosas na Prainha. De filá (chapéu de ritual) na cabeça, disse que a Prainha tem uma energia de força que não pode ser diminuída pelos atos de vandalismo e práticas desrespeitosas para com os cultos originários da África. “O preconceito é sempre fruto da ignorância. Demonizam Xangô, com seu machado, e idolatram Thor, o herói Marvel com seu martelo, que vem da cultura nórdica. No fundo é tudo a mesma coisa. Sincretismo, história”, ensina. Ele professa um ramo da religião iorubá, base para o candomblé e a umbanda.

Antes do Cortejo de Iemanjá, que teve a participação em seu início do secretário de Cultura e Economia Criativa do DF, Bartolomeu Rodrigues,  o grupo Surdudum mostrou, com uma apresentação de 42 minutos no palco principal, que o evento da Prainha é exemplo de inclusão.

A criadora do grupo, a fonoaudióloga e professora da rede pública do DF Ana Soares, disse que teve a ideia de formar a banda de percussão há 25 anos ao dar aulas para alunos com deficiência auditiva. Na apresentação de ontem, 13 integrantes, sete dos quais surdos, colocaram o público para sambar.

Uma festa religiosa combinando rituais de adoração, música e convivência pacífica. Se o réveillon de 2020 precisar de uma referência de ano novo, há muito a aprender com a Praça dos Orixás, cartão postal de Brasília já no ano do sexagenário.

Para o secretário Bartolomeu Rodrigues o investimento neste tipo de atividade é necessário, uma vez que Brasília se consolida como um dos principais destinos  turísticos do país. “É preciso mostrar que Brasília tem arte, tem cultura, tem talento”, disse. Ele também afirmou que as festas da passagem de 2020 marcam o início das comemorações dos 60 anos da capital.  

A Praça dos Orixás foi transformada em Patrimônio Cultural Imaterial do DF em 2018 junto com a Festa de Iemanjá.

Fonte: Secretaria de Cultura