Museu Casa da Hera, no RJ, reconstitui costumes de famílias ricas do século XIX

Em meio à natureza, o Museu Casa da Hera, localizado no município de Vassouras, no Rio de Janeiro, é um retrato fiel das residências e dos costumes das famílias ricas e das suas relações sociais no auge do cultivo de café, no século XIX.

A Casa de Hera – referência à planta que reveste as paredes externas da casa – e a chácara, que abrange parte de Mata Atlântica, estão abertas para visitação desde 1968. O local foi residência de Joaquim José Teixeira Leite, um importante negociador de café da região. A principal tarefa de Joaquim era comprar e escoar o grão para exportação.

Com 22 cômodos e 69 janelas, distribuídos em áreas comercial, social, íntima e de serviço, a casa surpreende os visitantes, principalmente pela sofisticação da decoração. Quadros, pratarias e mobiliário impressionam pela riqueza de detalhes. A residência também possui uma biblioteca com mais de mil livros e três mil jornais.

Para o diretor do museu, Cirom Duarte e Alves, o local transporta os visitantes ao passado. “O visitante tem realmente o sentimento de volta ao tempo. Ele vivencia uma residência e um modo de viver de uma abastada família do século XIX, com certeza ele tem essa visão. Alguns quadros e espelhos, por exemplo, são pipetados a ouro. Então há, realmente, essa dimensão de riqueza”.

O museu abriga uma verdadeira joia rara – um piano de cauda Henri Herz, do século XIX. Além dele, só existe outro igual em Estrasburgo, na França. O instrumento é destaque na sala de jantar – um lugar com decoração caprichada, conhecido como salão amarelo. Outra relíquia do acervo é a segunda maior coleção de indumentárias do mundo assinada por Charles Worth – inglês considerado o pai da alta-costura da época.

Administrado desde 2009 pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), instituição vinculada ao Ministério da Cidadania, a Casa da Hera oferece um espaço para discussão de filmes, contação de histórias e o Ecoclube, que tem como objetivo aproximar crianças de escolas públicas da natureza que rodeia a construção. Atividades como estas resultaram no aumento no número de visitações. Em julho, o museu bateu o recorde geral de público mensal desde a inauguração – mais de 6.100 pessoas estiveram na casa.

O estudante de história da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Fábio da Silva, de 28 anos, é morador do município de Mesquita, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Ele aproveitou o dia de descanso para conhecer o Museu Casa da Hera e ficou encantado. “Eu gostei muito. Tem um arcabouço de história cultural muito bom. O museu é incrível na questão de conservação, a forma de visita, de percurso. Gostei muito dos quadros e dos lustres, do meio do século XIX e continuam perfeitos”, enfatizou.

O Museu Casa da Hera funciona de terça à sexta, das 10h às 17h. Sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h. A chácara está aberta também na segunda-feira, das 10h às 17h.

Para saber mais sobre os museus administrados pelo Ministério da Cidadania, acesse: museus.gov.br.