Mais financiamento, mais vagas, mais médicos

Uma lógica simples de, quanto mais vagas, mais médicos se aplica ao problema do déficit de profissionais na área da saúde. Jovens que desejam estudar Medicina, em instituições privadas, têm seus sonhos impedidos pelos altos custos que envolvem o ingresso no nível superior. As dificuldades enfrentadas por milhares de futuros médicos, enfermeiros e técnicos poderiam ser sanadas com o programa do Governo Federal que visa financiar os estudos em parceria com as faculdades e universidades particulares. A reportagem realizada pela revista eletrônica Justiça Em Foco, abordou, recentemente, o problema da burocracia do FIES (Financiamento Estudantil) em atender a demanda por vagas para a área médica. A matéria intitulada “Falta de regulamentação no Fies pode travar governo Bolsonaro de formar mais médicos”, evidenciou o drama vivido por aqueles que tentam financiar a bolsa de estudo nas faculdades privadas por todo o Brasil.

Um dos integrantes da Associação de Pais e Estudantes da Universidade de Salvador (UNIFACS), o engenheiro químico, Francisco Bacelar, destacou a necessidade de revisão do programa. Segundo Bacelar, “o atual modelo de financiamento do FIES não estimula a formação sustentável de novos médicos, o que pode acarretar um déficit ainda maior por esses profissionais no futuro. O Ministério da Educação (MEC) precisa de uma linha de crédito específica para cada área, no caso dos cursos de Medicina em instituições privadas, o custo inicial é alto, sendo assim as primeiras parcelas precisam ser flexibilizadas, para que as famílias possam fazer frente aos altos valores.  Uma vez formado, o rendimento de um médico pode ser razoável e pode quitar o financiamento. É preciso desburocratizar, principalmente para aqueles que desejam quitar logo as parcelas do FIES”. O MEC disse, ao ser questionado sobre a autonomia das instituições financeiras, que estuda uma maneira de gratificar instituições de ensino que ofertarem bolsas integrais para o curso de Medicina.

“Dentro dos critérios de seleção de propostas nos processos de chamamento público de mantenedoras privadas para oferta de curso de medicina, há previsão de uma bonificação para instituições que ofertarem bolsas integrais considerando os critérios socioeconômico do aluno”. Como as instituições têm autonomia para oferecerem bolsa integral ou parcial aos estudantes, além da alíquota de financiamento dos cursos de medicina, o MEC tenta facilitar o acesso ao financiamento para os estudantes.

O enfoque da matéria realizada há duas semanas pelo site jurídico, Justiça em Foco, alertava o governo Bolsonaro sobre a falta de incentivos em uma área fundamental: a saúde. De acordo com a reportagem, a falta de autonomia de instituições privadas em financiar os cursos de medicina impacta negativamente na disponibilidade de médicos para a população mais carente.

Na reportagem publicada o MEC informou ter como meta a “criação de 11,5 mil novas vagas de graduação e que a pasta já autorizou mais de 15 mil vagas, superando a meta em 30%”, somente para o programa Mais Médicos. A pasta ministerial informou ainda que, “o programa vem fazendo uma profunda reestruturação na formação médica do país”.

Entidades de Nível Superior, estudante e pais ficam na expectativa sobre a desburocratização do financiamento nos cursos de medicina. Bacelar afirma que “os estudantes têm interesse em estudar e os pais querem financiar os estudos e contribuírem para a realização dos sonhos de seus filhos. Mas precisam de atuação do MEC para que o sonho se torne realidade. Uma linha de crédito voltada exclusivamente para os cursos de medicina, com as peculiaridades inerentes à profissão, já facilitaria sobremaneira o ingresso e a formação dos futuros doutores”.