MS libera R$ 4 milhões para vigilância e assistência à região de Brumadinho

O ministro da Saúde, Henrique Mandetta, anunciou nesta segunda-feira (18), um pacote de medidas para auxílio à saúde da população da região afetada pelo rompimento da barragem da mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), além do acompanhamento da saúde dos profissionais envolvidos no resgate às vítimas da tragédia. Ao todo, serão liberados R$ 4 milhões, sendo que R$ 1,65 milhão será incorporado ao valor transferido anualmente para a região. As medidas auxiliarão 18 cidades afetadas, que juntas abrigam cerca de 1 milhão de pessoas.

“Estamos destinando esse recurso para reforçar a assistência e o atendimento as pessoas envolvidas nessa tragédia, como foco na saúde mental, devido ao estresse pós-traumático em relação à perda de familiares, mas também atuando na parte de vigilância, água e solo, por conta da qualidade dessa água e lençol freático, que nós iremos monitorar nos próximos anos”, esclareceu o ministro da Saúde, Henrique Mandetta.

Em Brumadinho (MG), foram habilitados dois Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e três Equipes Multiprofissionais de Atenção Especializada em Saúde Mental. Trata-se de uma preocupação com os reflexos da tragédia na vida da população atingida. O objetivo é oferecer assistência psicológica, como aqueles que vivenciaram o desastre ou tiveram amigos e familiares desaparecidos. Em situações semelhantes ao desastre, foram identificados, por exemplo, aumento dos casos de ansiedade e depressão.

O auxílio na cidade será reforçado com o credenciamento de dois Núcleos Ampliados da Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB). As estruturas reforçam o atendimento da atenção básica, responsável por ações de prevenção de doenças e promoção da saúde. Todos os anúncios para a cidades são de incorporação de recursos anuais para a cidade, no total de R$ 1,65 milhão anual. O incremento pode ser usado, ainda, na atenção comunitária, com ênfase na reabilitação e reinserção social.


Vigilância em saúde

Outros R$ 2,3 milhões serão liberados em repasse único para as 18 cidades atingidas pelo desastre. Os valores estão destinados para as ações de vigilância, como prevenção e controle de epidemias, para as cidades de Betim, Brumadinho, Curvelo, Esmeraldas, Felixlândia, Florestal, Fortuna de Minas, Igarapé, Juatuba, Maravilhas, Mário Campos, Papagaios, Pará de Minas, Paraopeba, Pequi, Pompéu, São Joaquim de Bicas e São José da Varginha.

O objetivo é acompanhar e prevenir de doenças em consequência do desastre, como aumento de casos de dengue, zika, chikungunya e febre amarela. As ações complementam as atividades do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública que envolvem mais de 50 técnicos do Ministério da Saúde.


Acompanhamento

Ministério da Saúde, ainda, vai acompanhar pelos próximos 20 anos cerca de mil profissionais envolvidos no resgate e buscas (Bombeiros, Força Nacional de Segurança, Defesa Civil, Ibama e outros) às vítimas do rompimento da barragem em Brumadinho (MG). O estudo de coorte (conjunto de pessoas que tem em comum um evento que se deu no mesmo período) vai avaliar doenças que estejam relacionadas diretamente ao desastre, como a contaminação por metais pesados e leptospirose.

O primeiro passo do monitoramento será a coleta de amostras de sangue e urina, que seguirão para análise no Instituto Evandro Chagas (IEC), primeiro laboratório de referência para essa ação. Caso seja necessário, outras instituições referenciadas também poderão ser envolvidas.

A ação terá a colaboração de pesquisadores de instituições como a Fiocruz, as Universidades Federais de Minas Gerais (UFMG) e do Rio de Janeiro (UFRJ) e Médicos Sem Fronteiras.

Fonte: Ministério da Saúde