Desafio do General Ramos frente a criação do novo partido de Bolsonaro

 

Por Ronaldo Nóbrega |

O detentor da pasta, general Ramos, herdou a cadeira do general Santos Cruz justamente porque seu antecessor não conseguiu organizar uma boa relação com partidos e parlamentares. À época, o PSL ainda “unido”, já que os rachas internos se intensificaram a partir de outubro.

Com o anúncio da saída de Bolsonaro, o general Ramos terá novos desafios pela frente, especialmente no diálogo com o ex-partido do Presidente. A Secretaria de Governo é incumbida de organizar as relações institucionais entre o Executivo e o Legislativo, sendo uma das principais pontes de diálogo com os congressistas.

Por hora, o general Ramos deverá ficar no apoio ao Presidente no processo de formação da nova legenda, batizada por Bolsonaro como Aliança pelo Brasil. A expectativa do Chefe do Executivo é que, até março, a nova sigla seja definitivamente registrada no TSE.

Contudo, esse será um longo caminho que passará por algumas fases bem difíceis. A coleta das 500 mil assinaturas, por exemplo, é um trabalho equivalente ao de uma nova campanha, afinal elas devem estar espalhadas proporcionalmente ao eleitorado em pelo menos 9 estados da Federação.

Além disso, a desfiliação de parlamentares fiéis ao Presidente, pode passar por processos de punição interna na cúpula do PSL e, posteriormente, por judicialização nos tribunais. Nesse ínterim, e necessário traçar estratégias de curto, médio e longo prazo, considerando os possíveis cenários, inclusive o do insucesso na criação do novo partido – visando às eleições municipais em 2020.

O anúncio do Presidente foi um caminho sem volta e, portanto, as forças políticas irão se realinhar para absorver essa novidade e seguir com o plano maior que é desenvolver o Brasil e criar condições de vida melhores para todos os brasileiros. O trabalho do general Ramos provavelmente dobrará ou triplicará nos próximos meses.

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